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Fundador da WWW alerta sobre espionagem on-line

Internautas estão sob risco crescente de governos e corporações rastreando os sites que eles visitam para construir um retrato de suas atividades, disse o fundador da World Wide Web na sexta-feira passada.

Tim Berners-Lee e Robert Cailliau

Tim Berners-Lee e Robert Cailliau

Tim Berners-Lee, cuja proposta para um sistema de gerenciamento de informações na Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear) 20 anos atrás fez nascer a WWW, disse que esse rastreamento de sites pode criar um perfil incrivelmente detalhado das pessoas e de seus hábitos.

Tecnologias desenvolvidas hoje facilitarão que se decida quem pode ver o material que alguém posta na rede, e em quais circunstâncias. Por exemplo, as pessoas podem não querer que possíveis empregadores vejam um álbum de fotos de férias, afirmou.

Berners-Lee, um engenheiro de software britânico que agora é professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), afirmou que a inovação na World Wide Web está acelerando.

“A web não está pronta, é apenas a ponta do iceberg”, afirmou na celebração de aniversário da WWW na Cern, na Suíça. “Estou convencido de que novas mudanças irão balançar o mundo ainda mais.”

Uma grande mudança que está chegando são os “dados conectados”, em que pedaços individuais de dados podem ser lidos por máquinas, não apenas nas páginas da web em que eles aparecem.

Isso permitirá aos usuários vincular dados e manipulá-los em planilhas ou gráficos, por exemplo. A soma do conhecimento humano, então, cresceria exponencialmente, naquilo que Berners-Lee chama de web semântica.

Exemplos seriam estudantes acessando dados de institutos de pesquisa ou pessoas comuns obtendo dados governamentais –pagos com taxas– para aperfeiçoar sites.

Uso múltiplo de dados

Pessoas que colocam dados em redes sociais como Facebook, etiquetando nomes em fotos, também poderiam usar esses dados em outras aplicações, como comprar uma camiseta em outro site.

Berners-Lee disse que o futuro da rede está nos telefones celulares. “Em países em desenvolvimento, será excitante porque essa é a única forma pela qual muitas pessoas podem ter acesso à internet.”

Quando Berners-Lee escreveu sua proposta, em março de 1989, seu chefe na Cern rabiscou “vago, mas excitante” em um memorando.

Um de seus arrependimentos foi ter começado endereços da rede com http://, já que as duas barras são redundantes, levando a bilhões de tecladas desperdiçadas.

Outro arrependimento foi a forma como endereços da web foram construídos. Teria feito mais sentido começar com os elementos mais comuns, como países ou organizações -por exemplo, usar ch/cern/info em vez de info.cern.ch como hoje, disse.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u538201.shtml

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Escrito por Thiago Belem

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